In Blog do Rudá

Em 1974, o regime militar começou a perceber que perdia as eleições. O primeiro choque do preço do barril de petróleo abalou as economias ocidentais que, por sua vez, aumentaram a taxa de juros cobrados aos países (como Brasil e Polônia) que contraíram empréstimos para financiar seus planos desenvolvimentistas. A fonte secou, com os juros subindo de 2,5% ao ano para 25% aa. Mais e mais brasileiros se inclinaram para a oposição.

Em 1977 veio o golpe arquitetado pelo cérebro do regime militar e o “grupo de Sorbonne”. Surgiram os “senadores biônicos” a partir de uma canetada. Eleitos indiretamente por um Colégio Eleitoral, respaldados pela Emenda Constitucional número 8, de 14 de abril de 1977, os senadores da Arena definidos por este “Pacote de Abril” procuravam reequilibrar a composição do Senado, já que MDB crescia e encurralava a Arena. Para conseguir emplacar este casuísmo, o governo militar fechou o Congresso Nacional.
O que parecia ser uma medida de força eficaz, foi se revelando o começo do fim do regime militar. Neste mesmo ano, contrariando as regras ditatoriais, os empresários criaram o primeiro encontro intersindical, legitimando o mesmo caminho que foi adotado por lideranças sindicais de trabalhadores. Pouco depois, em 1979, estouram as greves dos metalúrgicos, seguidas pelos bancários, professores e daí por diante.

Pois bem, o mesmo ocorre com Rodrigo Maia. A possibilidade de adiamento das eleições para unificar o calendário eleitoral do país não é uma medida de força, mas de fraqueza. Uma reação ao evidente movimento absolutamente visível e consolidado de isolamento político dos golpistas de 2016. Lula em crescimento contínuo, queda de popularidade de Temer e PSDB, aumento dos índices de confiança da população no PT (em todas regiões), sucesso da greve geral, ingresso da igreja católica nas lutas contra as reformas, defecções no Congresso (tendo Renan Calheiros como principal personagem), diminuição de apoio popular à Operação Lava Jato, rejeição popular às reformas governamentais, são tantos fatos políticos incontestáveis que não há como negar que o governo Temer e seus aliados se encontram num processo de deslegitimação contínua, persistente e consistente.

Cabe às forças democráticas e populares acertarem a estratégia, focarem nas lacunas abertas por esta deslegitimação e criar um ambiente político que contamine a agenda do Congresso Nacional. Uma ação aberta de politização da população brasileira que já se posta do lado oposto ao bloco Temer-PSDB-Fiesp.

É hora de brecar o catastrofismo de gente despolitizada e inexperiente que antecipa justamente o clima para medidas impopulares. Como na história do menino e o lobo, que conta tantas vezes que o lobo atacaria sua aldeia que vacinava contra a reação. Basta de Cassandras e problemas psicológicos que invadem o mundo político de maneira alienada, transformando um jogo de xadrez dos mais inteligentes (a política) em crise existencial e paranoia. Não há espaço para espírito de perdedores na política, jogo de poder, astúcia e ousadia. Jogo de inteligência.

Maia demonstra fraqueza. É um fato. Tentará, como todo fraco, impor sua medida pela força porque sabe que não convencerá o Brasil. Cabe às forças contrárias saber reagir e inviabilizar, como ocorreu no final dos anos 1970, a petulância desses poucos que tentam governar nosso país.

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