Memórias de 2014 - A Eleição que não queria acabar

Os artigos de “Memórias de 2014 – A eleição que não queria acabar” foram escritos por Rudá Ricci entre julho e outubro de 2014 quando o Brasil se viu diante do processo eleitoral mais polêmico e repleto de reviravoltas de sua história.

Da morte de Eduardo Campos ao aeroporto do titio, do sobe e desce de Aécio e Marina ao protagonismo dos nanicos nos debates, chegando ao clima de beligerância que marcou o segundo turno, o pleito foi dominado pela emoção.

Nas Ruas – A outra política que emergiu em junho de 2013

Não se trata de um trocadilho com o título do livro. Este livro nasceu efetivamente nas ruas. Durante as três semanas de protestos que tomaram as ruas de várias capitais e ao menos 100 cidades brasileiras no mês de junho de 2013 e os que se seguiram, os dois autores mergulharam nas manifestações, nas reuniões e assembleias de organizadores, em inúmeras entrevistas. Munidos da câmera fotográfica e blocos de anotação, procuraram as motivações e as formas de organização desta redescoberta das ruas pelos brasileiros. Perceberam diferenças agudas com as manifestações pelas eleições diretas no início dos anos 1980 ou as que redundaram no impeachment do Presidente Collor. E coincidências com outras manifestações juvenis, do Occupy nos EUA aos Indignados da Espanha, passando pela Primavera Árabe. O Brasil parecia começar o século XXI ali, nos protestos juninos. Um recorte geracional, antes de tudo. Quase todos destacaram a horizontalidade. A pauta era múltipla, feita por cada um que chegava às manifestações. As mesas diretoras das assembleias que se realizavam embaixo de viadutos ou em outros espaços públicos eram sorteadas. Os manifestantes não queriam vanguardas. Não por outro motivo, os índices de popularidade de todos governantes despencaram. Os partidos, que nos últimos anos nunca superaram os 5% de índices de confiança dos brasileiros, revelaram seu profundo divórcio com o cotidiano dos brasileiros. Um enigma que este livro procurou compreender. Na sua diversidade e a partir do olhar e depoimento de seus protagonistas.

Lulismo: da era dos movimentos sociais à ascensão da nova classe média brasileira

Guiado por um poderoso espírito crítico e um método de análise rigoroso, o sociólogo Rudá Ricci se debruça sobre a trajetória de Lula da Silva desde os tempos das greves do ABC paulista e dos movimentos sociais, fatos que contribuíram de forma decisiva para a criação do PT, ainda no início da década de 80.

Prosseguindo em sua análise, ele se interroga sobre o papel do Partido dos Trabalhadores na oposição institucional e, sobretudo, como força governamental, a partir de janeiro de 2003. Porém, destaca que foi no segundo mandato, a partir de 2007, que o lulismo despontou como fenômeno. Na realidade, um fenômeno que finca raízes na tradição autoritária brasileira, que tende a colocar a liderança política acima das classes sociais e das instituições democráticas.

Mas esse caminho – ao mesmo tempo modernizador e conservador – tem limites claros, uma vez que o desenvolvimento em curso no Brasil pode impedir, nos próximos anos, a continuidade de tal processo.

Este livro já nasce como obra de referência e merece constar das estantes de todo brasileiro preocupado com os rumos futuros do país.

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