In Blog do Rudá

Quem inaugurou a guinada à direita para tentar alcançar um nicho do “mercado político” foi Serra, quando enfrentou Lula à Presidência. Foi estranho porque era um dos economistas “estruturalistas” (da oposição) que se debatiam contra os economistas “monetaristas” (que apoiavam o regime militar) durante a ditadura militar. Em 1984, esteve ao lado de Celso Furtado elaborando o programa de Tancredo Neves. Como deputado constituinte, foi favorável à desapropriação das propriedades rurais improdutivas para fins de reforma agrária, e propôs a criação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Em 1988, derrotado por Luiza Erundina para o governo paulistano, parece começar sua guinada. De alguma maneira, percebia que o espaço à esquerda estava sendo tomado pelo PT. Entretanto, foi a derrota para Lula, em 2002, que o jogou nas redes do discurso mais à direita.

Em seguida, surgiu Aécio Neves, que não tinha percurso progressista ou à esquerda. Tanto que se apoiou no PP e DEM para se firmar em terras mineiras. Como Presidente Nacional do PSDB, acelerou a guinada à direita, chegando a elogiar e abraçar o MBL. Com Aécio, o PSDB destruía o legado de Covas.

Agora, surge Dória. Seus discursos do final de semana são orientados nitidamente para disputar certo espaço que está sendo conquistado por Bolsonaro. Jogar a flor que uma ativista social lhe deu e, pior, no dia seguinte afirmar que foi uma flor-provocação que ele remeteria ao Lula e à Dilma revela a tentativa de manutenção do espírito bélico que tomou São Paulo em 2015, no auge da xenofobia paulistana dos brancos que se consideram nativos.

O PSDB vai mal e se perde nesta busca desenfreada para encontrar seu nicho eleitoral. De alguma maneira, foi escanteado pelo PT e mesmo na crise do partido de Lula, nem pensa em ocupar a vaga que o petismo deixou em aberto. Continua caminhando para a direita sem se preocupar em perder identidade.

O PSDB parece acreditar que a América Latina é a Europa.

Os tucanos ainda não são absolutamente identificados com Le Pen, mas já deixaram à esquerda o liberal Macron. Se perderem São Paulo, dificilmente poderão comparar seu candidato à Fillon.

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